
Fachada FHIR®: é preciso reescrever tudo?
A adoção do padrão HL7® FHIR® tem ampliado as possibilidades de integração, compartilhamento e uso estruturado de informações em saúde. No entanto, grande parte das organizações ainda depende de sistemas legados desenvolvidos com tecnologias e modelos de dados proprietários.
Esses sistemas frequentemente sustentam processos críticos, armazenam grandes volumes de informações e permanecem essenciais para a operação das instituições. Por isso, sua substituição imediata pode ser tecnicamente complexa, financeiramente inviável ou representar riscos à continuidade dos serviços.
Diante desse cenário, surge uma questão importante:
Como disponibilizar os dados de um sistema existente por meio de uma interface FHIR sem precisar substituir ou reescrever toda a aplicação?
Uma das estratégias possíveis é a implementação de uma fachada FHIR.
O que é uma fachada FHIR?
Uma fachada FHIR é uma camada de interoperabilidade posicionada entre os sistemas consumidores e uma aplicação, API ou banco de dados já existente.
Sua função é disponibilizar uma interface compatível com o padrão FHIR, mesmo quando o sistema de origem não foi originalmente desenvolvido para trabalhar com esse padrão.
De forma simplificada: Cliente FHIR → Fachada FHIR → Sistema legado
Quando um cliente envia uma requisição FHIR, a fachada interpreta essa solicitação e a traduz para o modelo, a API ou a estrutura de dados utilizada pelo sistema de origem. Em seguida, os dados retornados pelo sistema são transformados em recursos FHIR e disponibilizados ao cliente em um formato padronizado.
A fachada atua, portanto, como um adaptador entre dois universos:
- o modelo padronizado do HL7® FHIR®;
- o modelo proprietário utilizado pelo sistema existente.
Por exemplo, um cliente pode executar a seguinte operação:
GET {{endpoint}}/Patient/123456/$everything
A fachada recebe essa requisição, consulta o sistema de origem por meio de sua API ou de seu banco de dados e transforma as informações recuperadas em recursos FHIR.
Nesse exemplo, a resposta pode ser apresentada em um Bundle contendo o recurso Patient e outros recursos relacionados, de acordo com os dados disponíveis e com a implementação da operação $everything.
Dessa forma, o consumidor utiliza uma interface FHIR sem precisar conhecer a estrutura interna do sistema legado.
Por que utilizar uma fachada FHIR?
A principal vantagem dessa abordagem é permitir uma adoção gradual do FHIR.
Em vez de substituir integralmente uma aplicação consolidada, a organização pode adicionar uma camada padronizada de interoperabilidade sobre a infraestrutura existente.
Essa estratégia pode:
- preservar sistemas que continuam atendendo às necessidades operacionais;
- reduzir os riscos de uma migração completa;
- evitar a reescrita imediata de aplicações complexas;
- disponibilizar dados para novas aplicações e serviços;
- reduzir integrações proprietárias ponto a ponto;
- facilitar a adoção progressiva de padrões de interoperabilidade.
Nesse contexto, a fachada FHIR permite iniciar a implementação gradual da interoperabilidade baseada no padrão FHIR sem interromper os processos existentes.
O que uma fachada FHIR bem projetada precisa considerar?
A implementação de uma fachada FHIR não deve ser compreendida apenas como uma conversão técnica de requisições e respostas.
Uma fachada bem projetada precisa considerar:
- o modelo de dados do sistema de origem;
- os recursos FHIR que serão disponibilizados;
- os Perfis e Guias de Implementação adotados;
- os mapeamentos terminológicos;
- os identificadores;
- as regras de negócio;
- a segurança;
- a qualidade e a governança dos dados.
Portanto, uma fachada FHIR pode evitar a necessidade de reescrever toda a aplicação, mas ainda exige uma compreensão profunda dos dois universos que pretende conectar.
A interoperabilidade não depende apenas de expor dados por meio de uma nova API. Ela depende de transformar esses dados de maneira estruturada, consistente e semanticamente compreensível.
Tag:fachadas-fhir, fhir, hl7, interoperabilidade


